sábado, 26 de maio de 2012

Lúcia já-vou-indo

           A história escrita por Maria Heloísa Penteado, Lúcia Já-vou-indo, traduz a semana vindoura para um grupo muito especial de professores da SEMEC Belém, agrupados no polo 5,será base para discutirmos sobre a inclusão, diversidade e os tempos e caminhos do ensinar e aprender.
          O livro é contagiante,então vamos lá, 1, 2, 3 era uma vez...




Lúcia Já-Vou-Indo – Maria Heloísa Penteado

 Lúcia Já-Vou-Indo não sabia andar depressa de maneira nenhuma. Andava devagar, falava devagar, chorava e ria devagarzinho e pensava mais devagar ainda. Muito natural, pois ela era uma lesma.
Um dia, Lúcia recebeu um convite para uma festa. Levou o dia inteirinho para ler o bilhete que dizia assim:
"Chispa-Foguinho, a libélula, convida você para uma festa dançante, embaixo do Pé de Maracujá, às oito horas da noite do dia 30 de janeiro. Comes e bebes, muita música, muita alegria, tudo do bom, do melhor e de graça".
Mal acabou de ler, Lúcia já se foi preparando para a festa. Queria se pôr a caminho imediatamente, embora faltasse ainda uma semana.
            - Juro que vou chegar na hora! - disse para si mesma. E começou a lembrar as muitas festas que havia perdido por chegar sempre atrasada. Ao aniversário da Maroquinha Cocinela, que era sua vizinha, chegou um dia depois da festa. Ao casamento do grilo João das Pintas com Sarapintada, chegou tão tarde que foi encontrar o casal já com um filhinho.
 Nesse instante, o relógio da sala bateu três horas da tarde e Lúcia teve um sobressalto. Pois não é que já perdera duas horas pensando naquelas coisas? E começou a se arrumar afobadamente. Pôs na cabeça uma peruca de cachinhos com um laçarote de fita cor-de-laranja, e com isso perdeu um dia inteirinho.
 Encheu uma cesta com brotinhos de alface para ir comendo pelo caminho, e lá se foi mais um dia. Deu corda no relógio para que não parasse na sua ausência e outro dia perdeu. Só faltava fechar a casa e ela perdeu nesse serviço mais um dia. Enfim a molenga se pôs a caminho, tendo exatamente três dias para chegar ao Pé de Maracujá que não era muito longe.
Chegou o dia da festa e ela ainda estava andando. Pelo caminho encontrou muita gente que também ia para lá. Viu dona Içá, com a cinturinha apertada num cinto de fivela de ouro, de braço dado com o marido de camisa listada e boné. Viu Lili Taturana toda besuntada de brilhantina para que seus pelinhos não ficassem arrepiados. Viu Zé Caramujo de cachecol xadrez enrolado no pescoço. Viu as formiguinhas Quem-Quem numa longa fila, comportadas e quietinhas como meninas de orfanato a passeio num domingo.
Viu abelhas, besouros, pernilongos, vespas e mil outros bichinhos. Todos passavam por ela e sumiam ao longe.
- Depressa, Lúcia, assim você não chega! - diziam de passagem.
E ela respondia mastigando devagarzinho um brotinho de alface:
- Já vou indo... Já vou indo... - e se esforçava, pensando que estava andando um bocadinho mais depressa.           
 Enfim, ela começou a ouvir a orquestra das cigarras. Estou pertinho, pensou. Mais algumas horas e estou lá. E seu entusiasmo era tamanho que até conseguiu, de fato, andar um pouquinho mais depressa.
- Olha a pedra no caminho! - gritou nesse instante João Barata do Mato, que também ia indo para a festa.
Aviso inútil, porque Lúcia Já-Vou-Indo a viu muito bem. Era a Maria Redonda, uma pedra perversa que gostava de pregar peças nos outros.Ficava sempre no meio do caminho, de propósito, para que tropeçassem nela e caíssem. Então ria de se sacudir toda.
Eu vou me desviar dela, pensou a lesminha. Mas a coitada pensava mais devagar ainda do que andava. Por isso não teve tempo de se desviar. Tropeçou e caiu. Mas não se machucou porque caiu muito devagarinho.. tão devagarinho que a pedra nem achou graça.
Lúcia levantou-se, arrumou a peruca que se havia entortado na cabeça e foi buscar a cestinha que havia rolado longe. Nisso, perdeu um dia e mais outro.
Quando chegou ao Pé de Maracujá, não havia mais nem sinal da festa, a tão esperada, comentada e suspirada festa. ­Quem achou graça no caso, foi o Pé de Maracujá. Começou a bater uma folha na outra e a cantar assim:

"A Lúcia Já-Vou-Indo Vinha vindo, vinha vindo,
Tropeçou numa pedrinha, Foi caindo, foi caindo!"

Mas Lúcia não achou graça nenhuma. Chorou muito o seu chorinho vagaroso de lesma: uma lágrima por hora, um soluço a cada meia hora.
 Chorou, chorou, mas seu choro  manso não conseguiu acordar a libélula Chispa-Foguinho que dormia cansada da festa. Ela só escutou o chorinho da lesma no outro dia, quando acordou.
- O que será isso? - a libélula disse e foi espiar. Viu a pobre Lúcia chorando, compreendeu tudo e ficou morrendo de pena. Foi buscar uns docinhos que sobraram da festa e ofereceu-os a Lúcia.
Conversou bastante com ela para ver se a consolava, e nada. Lúcia Já-Vou-Indo continuava com o seu choro em câmara lenta e depressa a libélula se cansou. Numa última tentativa, ela disse:
- Sabe, Lúcia, quem vai dar uma festa agora é você. Sendo a festa na sua casa, é impossível você chegar atrasada.
 A lesminha ficou pensando naquilo e, como pensava muito devagar, a libélula chamou as irmãs e, ligeiras como foguetinhos, foram à casa de Lúcia, prepararam tudo e distribuíram os convites.

 Credo! A família da libélula era toda elétrica. Zás-trás e tudo ficou pronto. Só faltava colocar a Lúcia dentro de casa para receber os convidados.
Enquanto isso, Lúcia Já-Vou-Indo, que já tinha acabado de pensar e estava encantada com a idéia, vinha vindo o mais depressa que podia. Talvez, dentro de alguns dias ­se não tropeçasse outra vez na pedra Maria Redonda  estivesse em casa.
E a libélula Chispa-Foguinho tinha agora um problema: os convidados já estavam chegando e a festa não podia começar porque a dona da casa estava fora. Como trazer Lúcia o mais depressa possível? ".
 Cric!... A libélula deu um estalinho. Já descobrira a solução. Num abrir e fechar de olhos, explicou tudo às irmãs e foram buscar a Lúcia.
Puseram a molenga em cima de uma folha de capim e vieram voando trazendo a folha pelos ares. Danadas como elas só, em dois minutos a lesma estava em casa. Isso, apesar de ter caído da folha três vezes.
Foi assim que ,oh maravilha! Pela primeira vez na vida, Lúcia já vou indo assistiu a uma festa inteirinha, do começo ao fim.


domingo, 13 de maio de 2012

 Recebi através de e-mail da Professora Giovana, a notícia da festa literária em celebração aos quatro anos de existencia da Escola Delani Alves, que leva o nome da minha amada irmã da palavra, linda contadora de histórias que tanto ajudou na minha formação no ofício de narrar.
As imagens são comoventes, parabéns pelo trabalho de todos na escola, sei que Lani, como a chamava, celebraria com muitas histórias e poesias.
  


A Escola Municipal Professora Delani Aparecida Alves, no Jardim Sol Nascente, completou quatro anos nesta terça-feira (08). Para celebrar a data a escola promoveu uma festa com direito a contação de história com a participação de Carlos Daitschman, amigo de longa data da saudosa professora Delani, e também com a presença de profissionais da Secretaria de Cultura e Turismo de Araucária. O tradicional parabéns foi acompanhado de um bolo com dois metros de comprimento.
Na oportunidade os alunos ficaram fascinados pelas histórias de suspense contadas pelo contador. “É um momento de celebrarmos o aniversário da nossa escola, e ao mesmo tempo também homenagear a professora Delani que sempre realizou o trabalho de contação de história nas escolas”, conta a diretora da instituição, Suzana Nunes Branco. No período da tarde quem apagou a velinha do bolo foi o aluno do 5º ano, Thiago Oliveira Douglaz. Ele estuda na instituição desde o início das atividades escolares, e ficou feliz em poder representar todos os estudantes. “É importante celebrar essa data. Gosto muito de estudar aqui”, falou.










terça-feira, 17 de abril de 2012

I Festival Pororoca de histórias

 
O I Festival Pororoca de histórias visa pontuar um dia dedicado ao ouvir e contar histórias.Um encontro de contadores e histórias que juntos transformam-se em uma onda que avança para “estrondar” histórias, poesias, canções,contos, lendas, causos e tantos outros trazidos de vários cantos e recantos da Amazônia para “mundiar”, encantar, quem se reúna para assistir.
A ressonância deste I Festival Pororoca de histórias será sentida também no mundo, pois o mesmo acontecerá no dia 20 de março, dia Internacional do Contador de Histórias, data na qual a RIC, Rede Internacional de Contadores de Histórias, chama todos os que contam pelo mundo a fora a realizarem uma contação mundial, voltando os olhos do mundo para o Brasil, Amazônia, Belém do Pará, onde no aniversário de 141 anos da Biblioteca Arthur Viana, contadores locais estarão “pororocando” histórias.

I Festival Pororoca de Histórias: Dia Internacional do Contador de História

Com o Movimento de Contadores de Histórias da Amazônia - MOCOHAM

Dia 20 de março no CENTUR/Cine Líbero Luxardo, das 15h ás 17h
E essa foi a nossa Pororoca!!!
Gratos aos nossos apoiadores: CENTUR, Livrarias Paulinas, Paulus, Acervo J Carola, SEDUC/SIEBE, SEMEC/SISMUBE.
 

Aprendendo a compartilhar com a Dona Joaninha

A descoberta da Joaninha é um livro da Bellah Leite Cordeiro, editado pelas Paulinas, faz um sucesso tão grande aqui em casa que virou até tema do 7º aniversário da Dona Sofia Joaninha na sua escola.



Dona Joaninha vai a uma festa na casa da lagartixa.
Vai ser uma delícia!
Todos os bichinhos foram convidados...
Dona Joaninha quer ir muito bonita!
Porque, assim, todo mundo vai querer dançar e conversar com ela!
E ela poderá se divertir a valer!...
Por isso, colocou uma fita na cabeça, uma faixa na cintura, muitas pulseiras nos braços e ainda levou um leque para se abanar.
No caminho encontrou Dona formiga, na porta do formigueiro, e disse:
- Bom dia, Dona Formiga!
Não vai à festa da lagartixa?
- Não posso, minha amiga. Ontem fizemos mudança e eu não tive tempo de me preparar...
- Não tem problema! Tudo bem! Eu posso emprestar a fita que tenho na cabeça e você vai ficar linda com ela! Quer?
- Mas que legal, Dona Joaninha!
Você faria isso por mim?
- Claro que sim! Estou muito enfeitada! Posso dividir com você.
E lá se foram as duas. A formiga radiante com a fita na cabeça.
Dali a pouco encontraram Dona Aranha, na sua teia, fazendo renda.
Ao ver as duas, a aranha falou:
- Oi! Onde vão vocês duas tão bonitas?
- À festa da lagartixa! Você não vai?
_ Sinto muito! Não posso...tive muitas despesas e sem dinheiro não pude me preparar para a festa!
Não seja por isso! disse a Joaninha
- Estou muito enfeitada! Posso bem emprestar as minhas pulseiras...Vão ficar lindíssimas em você!
- Que maravilha! disse a aranha entusiasmada.
- Sempre tive vontade de usar pulseiras nos braços! Dona Joaninha, você é legal demais! Sabia?
E dona Aranha, muito beliz, acompanhou as amigas.
Logo adiante encontraram a taturana. Como sempre, morrendo de calor!
- Oi, Dona Taturana! Como vai?
- Mal! Muito mal com esse calor!...Sabe que nem tenho coragem de ir à festa da lagartixa?
- Ora! Mas para isso dá-se um jeito! disse a Joaninha muito amável. - Poderei emprestar o meu leque.
E lá se foi também a taturana, felicíssima, abanando-se com o leque e encantada com a gentileza da amiga.
Mas, logo depois, deram de cara com a minhoca, que tinha posto a cabeça para fora da terra para tomar um pouco de ar.
- Dona Minhoca não vai à festa? disse a turminha ao passar por ela.
- Não dá, sabe? Eu trabalho demais! Quase não tenho tempo para comprar as coisas de que preciso... E, agora, estou sem ter uma roupa boa para vestir! Sinto bastante! Porque sei que a festa vai ser muito legal! Mas, que se vai fazer...
- Ora, Dona Minhoca - disse a joaninha com pena dela.
- Dá-se um jeito...Posso emprestar a minha faixa e com ela você ficará muito elegante!
A minhoca ficou contentíssima! E seguiu com as amigas para a festa.
Dona Joaninha estava tão feliz com a alegria das outras que nem reparou ter dado tudo o que ela havia posto para ficar mais bonita.
Mas, a alegria do seu coração aparecia nos olhos, no sorriso, e em tudo o que ela dizia! E isso a fez tão linda, mas tão linda que ninguém na festa dançou e se divertiu mais do que ela!
Foi então que a Joaninha descobriu que para a gente ficar bonita e se divertir, não é preciso se enfeitar toda.
Basta ter o coração bem alegre, que essa alegria de dentro deixa a gente bonita por fora! E ela conseguiu essa alegria fazendo todo aquele pessoal ficar feliz!

domingo, 4 de março de 2012

Tecendo o Ser na UEI Cremação

O Projeto Tecendo o Ser realizado pelo Centro de Educação Especializada de Prefeitura de Belém tem como foco o trabalho com as famílias dos alunos com deficiência da Rede Municipal de Educação. O que desejamos é construir uma lógica de educar, que provoque nas famílias a re-descoberta de si, que tem como objetivo a luta amorosa pela inclusão.
             Com este olhar de cuidado e acolhimento às famílias, que nos propomos a criar um espaço de convivência, troca de saberes e resignificação da concepção de diversidade humana, baseados no reconhecimento de sua própria diversidade, possibilitando assim a atitude de inclusão de si e do outro no contexto social e educacional, tendo com o fio condutor o fazer artístico e o conhecimento de si. 
               O Tecendo realiza seus encontros nos espaços educativos vinculados a SEMEC, geralmente escolas e Unidades de Educação Infantil, o foco conforme dito anteriormente são as famílias, mas os educadores também são convidados a tecer conosco,quando encontram um espaço entre suas atividades pedagógicas são assíduos nos encontros.
                Durante a jornada pedagógica da Unidade de Educação Infantil da Cremação recebemos o convite pela coordenadora May Mendonça para realizarmos um "Tecendo o Ser" apenas com os professores, segundo a coordenadora os mesmos haviam observado o trabalho com as famílias e ficaram desejosos de participar, o que não foi possível pois estavam em sala de aula com os pequeninos.
                    A equipe do Tecendo topou o convite!Fizemos algumas modificações nas rodas de conversa pela especificidade do público alvo.O resultado foi interessante, constatamos a necessidade do olhar amoroso e a escuta dos profissionais que atuam na educação.Falar de si, da escolha em educar, em soltar a criatividade, o corpo, estreitar laços de convivência, pensar e repensar a prática cotidiana da educação infantil.Creio que ganhamos fôlego, amigas, e alegria da descoberta.
                      

 Caseando o Jogo do Caracol

 Vivências Corporais

 Nascendo um Tapete de histórias

 O Jogo da Velha

 O Tapete pronto!

 Quebra-cabeça de feltro

 Dança Circular


                    " Psiu, ei pessoal, sonhar não causa efeito colateral"
Hino do sonhador - Heliana Barriga

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sorteio no Blog da Laine


 Sorteio fantástico no Blog da Laine para as fadas que usam a agulha como vara encantada.
Ainda dá para participar!!

http://laineartess.blogspot.com
  
Trabalho de agulha é pra se olhar, apreciar a renda, se deixar enfeitiçar pelo volteio do fio, ou deixar de lado.não cabe à rendeira julgar.A rendeira tece,espera...e muitas vezes desfaz.Tal qual Penélope...
A primeira malha eu teço
Por isso, o priemiro verso
Escrevo à mão,
Feita à mão é a poesia
tecida com esta linha
De escrita, escrita à mão.
Quem ão gostar do que faço
Apague com a borracha.
O ponto e linha do traço.
Cuidado com a tal da traça,
Poesia, chaeia d egraça,
Agulha, vara encantada
De mão
De fada!

Sylvia Orthof - Ponto de Tecer Poesia

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cirandeiros da Palavra

Dia lindo, uma turma animada e muitas histórias, canções e poesias.
Atendemos ao convite da Equipe de Educação Ambiental da Secretaria Estadual de Educação do Pará para as palavras circularem...