“Contar histórias é uma arte, uma arte rara, pois sua matéria-prima é o imaterial, e o contador de histórias um artista que tece os fios invisíveis desta teia que é o contar”.
Cléo Busatto
"Feita à mão é a poesia, tecida com esta linha, de escrita, escrita a mão" Sylvia Orthof
Quem sou eu
Florzinha
Sou educadora, mãe, mulher, contadora de histórias, e antes de tudo um ser que busca a inteireza tecendo fios que se juntem aos tantos outros fios de vida.Portanto, neste espaço quero convidá-los a tecer o têxtil e o texto, pode ser um alinhavo, um ponto cruz, enrolar os novelos, ou apenas colocar a linha na agulha, o importante é que ponto a ponto consigamos ouvir fiapos de voz e espalhá-los até virarem novas tramas...Aceitam o convite?
Mestre Verequete se foi deixando um legado cultural ímpar para o Pará ,e como ele tanto cantou, "O carimbó não morreu, está de volta outra vez, o carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu",ao som dos tambores e de seus versos simples, gerações aprenderam a apreciar o carimbó, é difícil ficar parado, diga lá quem já ouviu!! Em agosto deste ano foi comemorado o aniversário de Verequete no Espaço São José Liberto localizado no Jurunas, bairro em que residia o mestre do Carimbó, certamente marquei presença , a imagem foi acalentadora, jovens e crianças lotaram o espaço, muitos bailando ao som dos tambores e maracas, então entendi o refrão do Mestre "o carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu",suas canções fazem parte do Patrimônio Imaterial.Segue em paz Mestre,um militante da cultura popular! Hoje pela manhã recebi em minha página de orkut a seguinte homenagem feita por Márcio Galvão, escritor paraense sobre o Mestre Verequete:
CANTA VEREQUETE
Mandei a Deus um bilhete: Oh, pai, te peço que abriguesAugusto Gomes Rodrigues, Nosso mestre Verequete,
Sem luxos de palacete, Sem tapete imperial; Acolha-me o Verequete No plano celestial.
Ao sopro dos clarinetes Do último sacramento, Bote Mestre Verequete Pra cantar no firmamento.
Prepare o bom tamborete Do repente e do improviso; Dê assento ao Verequete No sagrado paraíso.
Márcio Galvão, Belém, 03/11/2009 Dia do falecimento de Augusto Gomes Rodrigues, nosso grandioso Mestre Verequete.
E como foi esperado esse espaço de educação no Pará!Um trabalho árduo que agora materializa-se num lugar acolhedor e belo,confesso que sinto uma inveja(das boas) das crianças que estudarão lá, se fosse criança gostaria de ser educada neste casulo e depois sair para a primavera da borboleta. Desejo uma linda caminhada a todos que serão felizes trabalhando na creche entre aquarelas, brinquedos não industrilizados, som do kântele, cirandas, histórias, teatro, tessituras, contos de fadas, brincadeiras no quintal, comidas saudáveis e profesoras amorosas, entre outras coisas.Quem não gostaria de estudar no Casulo?
Como na postagem sobre o dia do professor quero em especial homenagear neste dia do médico duas profissionais que fazem a diferença, não costumo fazer isso com profissionais da área de saúde, já que olhar nos olhos, tocar, ouvir, respeitar são aspectos distantes do cotidiano deles, por isso fala-se tanto em humanização, não entendo como se humaniza um humano, mais tudo bem!!
Ana Luiza Tonini, homeopata e Dinair Adrião, obstetra, podem ser consideradas referencias de carinho, atenção comprometimento com seus pacientes.
A Ana conheci numa reunião da Pedagogia Waldorf, cheguei abraçando os conhecidos quando ouvi uma voz pedindo um abraço também, era a primeira vez que nos víamos e certamente atendi ao pedido pensando que ela fosse um dos profissionais de educação, já que a reunião tratava deste tema, quando soube que era médica, não daquelas de passar a receita antes de olhar nos olhos das pessoas, ela é uma médica da alma, quem já recebeu uma aplicação de moxa ao som de sua doce voz ,sabe bem do que digo, seu consultório é um ninho gostoso que você sempre tem vontade de voltar, estranho querer ir ao médico, mas com ela é assim.Quantas vezes me tirou das crises da vida quando minha pequena Sofia adoecia, e agora cuida também do Andrezito.
A Dinair aceitou o desafio de cuidar de uma grávida talassêmica, tarefa não muito fácil, e haja verificação de taxa de hemoglobina, ferro sérico, etc, lembro de sua prontidão ao esclarecer minhas dúvidas e atender a cada telefone desesperado por algum sinal de que algo não ia bem, nossas longas conversas no consultório ajudaram a fortalecer a esperança, bravamente ela cumpriu a tarefa, aliás, se não fosse a experiência da Dinair meu bebê não estaria conosco hoje, com sua percepção aguçada de anos cuidando de futuras mamães fez com que percebesse que algo não estava bem e agiu rápido, de uma consulta já parti para maternidade e como o vinculo de confiança estava estabelecido fui buscar meu André aos 08 meses com fé nos anos de trabalho responsável desta profissional.
As duas pequenas histórias ilustram a frase de Khalil Gibran “E o que é trabalhar com amor? É tecer o pano com fios tirados do vosso coração, como se vosso bem-amado fosse usar aquele pano. É construir uma casa com afeição, como se o vosso bem-amado fosse viver naquela casa. É semear as sementes com carinho e fazer a colheita com alegria...”
O abrigo recebido por essas duas me fazem crer em outros caminhos possíveis para o exercício da medicina, lidar com a fragilidade de outro ser requer o “trabalho com amor”, Ana e Dinair são dois seres que sempre farão parte das minhas memórias e serão alvo de minha gratidão. Reconhecer o bem e agradecer são atributos de nossa existência no universo.
Eu, André, Sofia e André (o zito) agradecemos a vocês que fazem da medicina um ato de amor.
Hoje meu blog completa um ano!Ainda o vejo como um bebê crescendo, aprendendo dia-a-dia, caindo e levantando.Lembro quando fui apresentada ao mundo dos blogs pelo Franz do NIED, ele um blogueiro de primeira, falava com entusiasmo que era quase impossível não se contagiar, a semente foi plantada com o blog do grupo de contadores de histórias, mas logo senti a necessidade de um só meu em que pudesse estar livre para falar de coisas que aprecio, ou melhor, alinhavar com fios e cores a meu bel prazer, e que delícia é poder compartilhar histórias, situações, sentimentos e o que mais o desejo mandar, penso que o blog tem que ter a cara do dono, pensando bem,ao olharmos um constatamos a afirmação,desde o título, imagens, textos, vídeos, etc. Como está em pleno desenvolvimento precisa ser nutrido, alimentado, as vezes mais, outras menos, depende do momento de vida do blogueiro. Neste dia de parabolos para o blog, quero dar a primeira fatia para o Franz, meu padrinho de blog que generosamente deu tantas dicas legais, a você amigo desejo que continue jogando a semente, e como diz a parábola do semeador e a semente, muitas sementes podem cair em terra boa e germinar. Que este seja apenas um dos aniversários do Alinhavos de Comadre Florzinha!!!!Terá bolo, sorvete e guaraná...
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sábado, 17 de outubro de 2009
"Excelentíssimas crianças,
Se eu fosse vocês, a primeira coisa que pediria à professora ao entrar em sala de aula, pela manhã, seria: 'Professora, leia uma história para nós! Não existe melhor maneira de começar um dia de trabalho ! E no final do dia, quando a noite chega, meu pedido ao adulto mais próximo seria: 'Por favor, conte uma história para mim !' Não existe melhor maneira para escorregar nos lençóis da noite ! Mais tarde, quando vocês já forem grandes, lerão para outras crianças aquelas mesmas histórias. Desde que o mundo é mundo e que as crianças crescem, todas estas histórias escritas e lidas têm um nome muito bonito: literatura".
(texto de Daniel Pennac)
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Lançamento do livro Capoeira, identidade e gênero: ensaios sobre a história social da capoeira no Brasil, escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal e Josivaldo Pires de Oliveira. 23 de outubro, sexta-feira. Auditório da Casa da Linguagem – Avenida Nazaré, próximo à Praça da República. Horário: 18:30 horas Exclusivamente neste dia o livro terá o preço promocional de R$ 25,00.
Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.Rubem Alves
Neste dia do professor escolhi uma professora em especial para homenagear através do relato de um pouco de sua história profissional. Conheci a professora Ana Cristina Ramos em 2000 na recém inaugurada Escola Municipal Terezinha Souza, recebemos turmas do ciclo II e assim tínhamos que fazer juntas a HP(horas pedagógicas, horário semanal para planejamento) nosso primeiro encontro foi interessante vi aquela moça de fala mansa e de poucas palavras entrar na sala dos professores e logo pensei que ela se assustaria com meu jeito falante de ser, tentei me conter e mais ouvir do que falar, coisa difícil para mim, confesso ser este um ponto forte de atenção no caminho de auto-conhecimento!Cris, como passei a chama-la,surpreendeu -me por seu conhecimento e pela paixão por ensinar, em poucas horas tínhamos apontado caminhos para aquele ano, entre eles, um que mudaria completamente nosso olhar de educação e incentivo a leitura, o Tuerarup, projeto de formação de contadores infantis de histórias, proposta ousada pois sabíamos que a resistência seria grande, como foi, pais, outros de colegas de profissão e em princípio alguns alunos também olharam de lado para "esse negócio de contar histórias".Aceitamos o desafio, iniciamos o projeto e dia-a-dia aprendia com a Cris, a riqueza do conhecimento que recebi não adquiri nem mesmo nos tempos de faculdade, com todo respeito aos meus professores, mas esta é uma verdade incontestável, devo a ela meu olhar sensível sobre o educar, aprendi a ser provocadora em minhas aulas, questionar posições, refletir e principalmente que ensinar e aprender pode e deve ser divertido, asseguro a vocês que quem perdeu a alegria de ensinar consegue recuperar o prazer de um ofício que envolve conhecimento e sentimento. O cotidiano daquela escola era prazeroso,saraus, pesquisas, teatro, música, artes plásticas, etc, quem vivênciou não me deixa mentir e nem aumentar como as histórias de pescador.Os pequenos contadores de histórias liam mais e conheciam mais autores que alguns professores que conhecíamos, triste ironia, mas verdadeira,também a Cris é uma devoradora de livros e passou para nós o amor pela palavra escrita ou falada. Trabalhei com ela por três anos que valeram por toda uma vida, o Tuerarup rendeu a nós prêmios, respeito profissional, encantos e desencantos, e o mais importante, nossos alunos livres, autônomos, provocadores, leitores e contadores de histórias!O que mais um professor pode querer? Hoje pela manhã falei com a Cris por telefone e agradeci por sua generosidade ao compartilhar comigo seu conhecimento e reiterar sua importância para mim e para a educação pública nesta cidade já que atua no município de Belém e no Estado.Neste dia 15 não poderia deixar de agradece-la, e certamente não estou sozinha, tenho um coro me acompanhando.A frase de Rubem Alves sintetiza o que Cris ensinou a mim.
"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses." Rubem Alves
Ave querida mestra!!!!O jardim da minha existência está plantado e florido.
Foto 1 - Cris e eu na inauguração do Espaço do Escritor Paraense Foto 2 - Cris contando histórias no Jardim da Palavra